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Ao Teatro!
O pensamento omnipresente, Que induz sempre à inquietude e persistência do sonho... Não se sabe se é intencional a lembrança, Apenas surge, constantemente, na memória! Persegue, dia-a-dia, hora a hora, minuto a minuto As entranhas do nosso cérebro, corroendo-o... Por vezes de alegria, Outras vezes de tristeza. Todavia, a constante lembrança fornece vida! Tem o dom da dádiva da esperança e da luta, Esta teimosia do sonho! E como ele é tão, simplesmente, abstracto! Tão abstracto, como belo! Tão desassossegado, como origem de calma e de paz. É ambíguo no seu ser, é contraditório na sua estrutura, É metafórico quando se desvenda, Ou representativo quando assim o quer! Este sonho... O meu sonho... É mais do que a vida! Ele é a própria vida que personaliza cada ser. De que falo? Claro, não só de um sonho em si... Mas do meu sonho, da minha paixão, da minha vida! O Teatro!!! Essa arte de fantasia que se esconde na realidade, Esta arte reconhecida como ingrata, Mas que nos amarra e nunca a conseguimos largar! Esse mundo porque anseio, Onde nunca sou eu, porque posso ser muitos! Esse mundo que me dá tantos sorrisos, Que me constroem e ensinam Por simples aplausos que são a recompensa do actor! Um soalho gasto, um ligeiro cheiro a velho... Esse odor que não consigo identificar, Mas que só lá existe! Uma imensidão de cenários, que no escuro não são nada, Mas que com a luz se transformam Em todas as ilusões que poderemos imaginar! Um vestuário emerso na alegoria, na representatividade, Ou na própria realidade... Um simples figurino, que transforma o actor! Não só o mascara, como o estimula A assumir a personagem... Este mundo mágico tão diferente, Tão cheio de estranhas expressões Como boca de cena, cortina de ferro, posição a três quartos.... Este mundo tão atraente, Que desde que o conheço, Ainda mais o desejo! Quem é o actor? Um génio da lâmpada, uma secretária distraída, Um adolescente sem rumo ou um simulador humano Do que não pode ser real? Um actor é tudo isso... É a irreverência, é a transformação, A versatilidade… É um corpo que dá vida a algo Que não pode nunca ser ele próprio! O actor é o místico processador de linguagens, Conversa com a voz e com o corpo... Às vezes, com a própria presença! O actor é aquele que dá vida esquecendo-se da sua, Porque é o único que o pode fazer, Porque o Teatro permite-nos isso! Como definir este mundo de azáfama, técnica inconsciente E consciente marcada para definir traços? Traços de uma personagem, traços da interacção em contracena, Traços de uma peça... Uma peça que, naqueles instantes, naquelas horas, Faz o Mundo girar ao contrário... Fugir do real e submergir no imaginário do sonho, Onde todos, inconscientemente, vivemos... É isso que o Teatro nos dá: Um mundo onde existem muitos outros mundos, Em que o sonho é o principal trunfo! O trunfo que mais nenhuma profissão contém... Porque “durante aqueles cinco minutos, Aquele corpo não é meu!” É de alguém que existe só ali, no palco, Para que o público observe, aprecie e fique a sonhar... O Teatro é o mundo onde vivo, E é o único que e dá a verdadeira vida!
Ao Teatro, que é desde sempre o meu sonho, que me mantém viva e me torna feliz!
Marisa Carvalho 2006
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MUITO MUITO MUITO
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Tril Tril